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PADRE QUE VAI e PADRE QUE VEM
“Dom Luciano, por que o senhor tirou nosso padre da paróquia?
Em time que ganha não é bom mexer!”.
Este desabafo sincero e carinhoso me anima a partilhar algumas considerações.
Geralmente, no início do ano, em diversas paróquias há mudança de padres e diáconos: uns saem das comunidades paroquiais onde estavam pastoreando, para assumir novas missões em outras comunidades. Graças a Deus, nossos padres e diáconos são amados e queridos pelos fiéis, por isso é normal que estes, chegado o período de mudanças, sintam-se tristes com o clima de despedida.
Há gente que pensa que tal fato signifique ou reconhecimento-honra ou castigo-punição. A coisa não anda por aí. Trata-se de uma decisão de caráter pastoral, espiritual, missionário e administrativo, para o bem do Povo de Deus e dos próprios ministros, frente a circunstâncias que exigem resposta. Todo esse processo é realizado com bastante discernimento, oração e diálogo, procurando o bem dos fiéis e dos próprios ministros.
Os Padres e os Diáconos são homens de fé e, a exemplo de Cristo, devem estar sempre livremente disponíveis à vontade do Pai. É isso que prometem no dia de sua ordenação, dentro da espiritualidade de serviço e comunhão diocesana. Na vida da Igreja e das comunidades a substituição de párocos, vigários paroquiais e diáconos traz oportunidade para que o trabalho pastoral possa crescer, pois cada um possui seus dotes e dons que contribuem para uma ação eclesial mais completa e integrada.
Então, “Bendito quem vai e bendito quem vem em nome do Senhor!”.
Infelizmente, às vezes, certas mudanças são acompanhadas de “comentários e tititis”. Não falta quem procure razões especiais e até teorias de “conspiração ou preferências” para algo que na Igreja é natural e segue o ritmo e a dinâmica da Providência divina.
Daí, que não é atitude madura organizar abaixo-assinados solicitando ao Bispo que “não tire o padre Fulano daqui”. Também não merecem louvores aqueles fiéis que ameaçam de não participar mais da comunidade de origem, pois o “seu” padre lhes foi tirado e decidem seguir “seu” padre por onde estiver destinado.
É errado condicionar a prática da fé a este ou aquele ministro, pois todos representam em sua ação pastoral o sacerdote supremo: Jesus Cristo, o Bom Pastor.
Certamente é compreensível o afeto que se nutre por quem, durante diversos anos, foi pai, irmão e mestre de fé e caminhada. A gratidão sempre foi e será uma digna virtude. Porém isto não deve impedir de acolher com todas as forças e entusiasmo quem chega. Este também está em nova missão, enfrentando o desafio das novidades em meio a um povo que ainda não conhece. Merece boa acolhida, apoio, solidariedade e humanidade.
Algo que é preciso evitar a todo custo é fazer “comparações” entre o “predecessor e antecessor”. Dentro da busca de realização do único Plano Pastoral Diocesano, é normal que cada um tenha seu estilo, embora de todos se espere a semelhança com Jesus, o Bom Pastor.
Posso dar graças a Deus, de coração, porque, quer da parte dos padres e diáconos aos quais pedi a mudança de lugar, e quer da parte dos fiéis das comunidades paroquiais onde aconteceram as transferências, quase sempre encontrei compreensão e maturidade. Espero que isto continue para o bem da Diocese. Poderia relatar tantas expressões admiráveis de disponibilidade, carinho e colaboração.
No início 2009, várias foram as transferências. Isso não pode nem deve atrasar ou atropelar a caminhada das Santas Missões Populares.
No ano passado, através dos tríduos nas comunidades “esquentamos o motor”. Agora, o trem missionário precisa “colocar-se em movimento e ganhar velocidade” com o retiro missionário em cada paróquia e a organização específica para cada ambiente.
O material está pronto e à disposição: Bíblia, livrinho do missionário, símbolo, flâmula etc. Falta agora os missionários iniciarem a caminhada.
É Jesus que nos envia: “Ide e fazei todos discípulos meus”. É o Espírito Santo que nos acompanha. Então, vamos lá com coragem, fé e ânimo!
Um abraço fraterno e as bênçãos divinas.
Dom Luciano Bergamin, CRL
Extraído do Jornal Caminhando, de março 2009
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